Meu mundo

Queria poder viver em um mundo onde sempre tivesse um espacinho para sentar e ler meu livro velho de capa de couro.  Onde a lenta música da minha infância não fosse motivo de troça. Um lugar calmo e tranquilo, sem lixo na rua, no ar, no som, na terra.

Queria um mundo em que o antigo e o velho não fossem jogados fora, e o novo não seria um Deus fora de tamanho e medida. Um lugar que se possa tranquilamente se ser quem é, e a marca do sapato não seja mais importante que os pés que o vestem.

Quem sabe um tempo onde exista respeito e não a complacência. Um lugar onde o silêncio seja tão importante quanto o falar. Um lugar onde aja espaço para as cores 3D e pálidos tons de cinza dos filmes antigos.

Um tempo em que não exista medo de ser quem é, apenas por sê-lo, e se possa mostrar, sem medo do desprezo. Porque uma poça d’água é tão importante quanto um lago e um oceano.

É estranho pensar que poderia existir um mundo como o que eu sonho, com o tom de amarelo claro da minha infância, e quem sabe não ter que me preocupar a todo instante em ter que defender aquilo que eu sou.

Procuro um mundo onde aja espaço para ser e não ser, onde caibam meus livros, meus discos de vinil antigo, meu samba calminho e aquele filme preto e branco que não diz nada.

Procuro um mundo onde eu possa me sentar na grama  e ver as nuvens passando e não ter que me preocupar se vou ser pisada ou não. A verdade é que procuro um mundo que nunca vi, ouvi, senti ou vivi. Talvez eu só esteja no lugar errado ou então querendo demais.

Vou por nos jornais, perguntar por ai se alguém tem noticias desse mundo tão distante que teria por lema uma frase antiga e meio perdida “If you judge people, you have no time to love them”

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