24 de setembro de 2012

Rola de um lado para o outro, tira e põe o cobertor, ajeita o travesseiro e nada. Nada é confortável. Desiste de vez da cama, levanta e para na cama ao lado. Sem pedir licença, sem nem pensar, levanta a coberta e se aconchega ali. Tão mais gostoso e confortável, que adormece na hora, bem abraçada  a ela, sua pequena ursa de pelúcia.

O despertador toca uma, duas, três, quatro, cinco vezes, soneca em todos eles. Não vai embora não, fica mais cinco minutinhos comigo. Esquece o horário do trabalho e passa o dia na cama comigo vendo desenho, assistindo filme e comendo pipoca. Liga pra eles, mente, fala que está doente, mas não me deixa agora. Acho que vou ficar doente de saudade de você. Cuida de mim por um tempo, me dá carinho e esqueçe do resto. Você parece cansada, estressada, descansa um pouco, vem aqui que eu te faço uma massagem.

Não pensa no depois, esquece o antes,  fica aqui agora. Você ainda vai ter muito tempo pra tudo, mas o  nosso tempo é tão restrito. Deita aqui ao meu lado, ou se cansou de ficar na cama, vem comigo pro sofá ou pra rede lá fora. O dia está tão bonito, mas sem você do meu lado vai ficar cinza e feio. Só por hoje, esquece tudo e vem comigo, vamos sonhar juntos e fazer mil planos. Vou te comprar aquele disco que você tanto gosta, daquela sua banda favorita. Vou fazer sua comida favorita e te mimar o dia todo. Só fica comigo agora, porque está escurecendo e eu morro de medo do escuro. Não atende o celular e não responda seus e-mails, esquece o mundo inteiro. Deixa eu te ter só pra mim, só por hoje não estou afim de te dividir. Estou egoísta e ciumento, te quero bem perto pra me fazer cafuné e um chamego gostoso.

Estou com uma dor nas costas, me faz aquela massagem que só você sabe fazer. Estou com um machucado aqui oh, tá vendo ?! Me dá mil beijos pra ver se sara. Fica comigo mais cinco minutos, faz meu dia ser mais feliz. Me abraça bem forte agora, porque só de você virar de costas vou morrer de saudade. O que você fez comigo, ainda estou tentando entender, essa vontade de te ter por perto. Vem aqui, não vai embora agora não, me ajuda a resolver umas coisas. Preciso dos seus conselhos pra terminar uns trabalhos. Vem aqui me ajudar um pouco, senta do meu lado. Vamos tomar café da manhã juntos, depois você resolve essas coisas. Fica mais um pouco, depois você vai embora. Só mais cinco minutinhos, fica aqui comigo.

Nós

Pela janela entreaberta o sol coloria de amarelo as paredes, a cama bagunçada e o sorriso preguiçoso nos lábios dele. Ela já se espreguiçava e e se preparava para sair do conforto dos lençois enquanto ele virava de lado e se escondia sob o travesseiro. O riso cristalino, mesmo pela manhã, inndou o quarto, era sempre um sacrificio tirá-lo da cama.

Debruçou-se sobre ele e beijou seu rosto, ele sorriu e com os olhos ainda fechados começou a virar-se para ela. Os lábios esticados em um infantil pedido de beijo, pouco combinava com a aparência de homem barbado. Ela riu antes de inclinar-se novamente e beijá-lo várias vezes. “Levanta preguiçoso” que ela delicadamente sussurrou foi respondido com um brusco e repentino abraço envolvendo-a e a trazendo de encontro ao peito dele. “Sou seu ursinho de pelúcia?” foi respondido com um simples aceno, enquanto ele aconchagava-se mais com ela segura nos seus braços. Apertou-a bem forte, estreitando a proximidade entre eles. Ela riu e acariciou os cabelos dele, beijando-o na fronte, finalmente fazendo com que ele abrisse os olhos e sorrise olhando para ela enquanto cuidadosamente depositava um beijo nos lábios dela.

Vamos levantar menino preguiçoso”apenas fez com que ele se aconsegasse mais nela, trazendo-a para perto e beijando-lhe os lábios. Pouco a pouco, beijo a beijo, foi tirando toda a preguiça dele. O fraco amarelo do sol da manhã já havia se fortalecido com as horas até que toda a preguiça o tivesse deixado e ele finalmente houvesse levantado dos lençóis remechidos. O aroma do café fresco dela duelava com o cheiro do achocolatado dele, como acontecia em todas as manhãs que eles passavam juntos. Pijamas guardados, cama arrumada e o perfume de sabonete ainda no ar, os dois estavam de volta a cama. Ela deitada esparramada com o computador nas mãos, ele sentado apoiado na parede com o violão nos braços. O travesseiro dela era a perna dele, o apoio dele eram as costas dela, embolavam-se trabalhando juntos. Ela cantarolava algumas sugestões para ele, enquanto ele ouvia e opinava nas histórias dela.

O dia passara tranquilo, risonho, como todo sábado e domingo que eles dividiam. Gostavam assim de sua rotina calma de trabalho conjunto O meio dia chegou e passou, assim como o cheiro da comida, o cochilo no sofá, o cafézinho e boa parte da tarde. “Vem pequena, vem sair andar um pouco” levou-os para longe da casa, ao parque, para andar, rir e juntos registrar um pouco cada um sua visão da vida ao final da tarde. O sol se pondo e a luz tendo ido embora, sentaram juntos para comparar. Câmeras postas de lado, tudo pronto no carro, hora de voltar. As mãos unidas, os sorrisos iguais, um dia a mais para lembrar. O sol posto, a lua alta e as estrelas surgindo pouco a pouco, iluminando o céu.

Em uma noite clara, com um tapete de piscas-piscas, um jantar ao ar livre. Uma canção baixinha, uma taça de vinho, uma dancinha ao luar. “Segura firme na minha mão, me abraça forte” foi respondido com um longo beijo apertado e um “gosto de você” sussurrado. Abraçados e sorrindo juntos, uma testa colada na outra e o silêncio pairando no ar, mas era um desses silêncios bons e confortáveis, que só se tem quando se conhece bem quem está ao lado. Sentados na rede a lua tão alta, contando pedaços de um sonho, planejando partes de um futuro. Mais tarde na noite, deitados no chão, na grama, no colchão, a lua se pondo e eles ali enroscados, embaraçados falando baixinho de um presente tão bom, até dormirem quietinhos nos braços um do outro.

Um vício bom

Eu estou te falando

Então tenta me escutar

Nem que seja por 5 minutos ou menos

Que eu te quero por perto sempre

Quero que você faça tudo comigo

Desde acordar numa manhã qualquer

Até ficar comigo no almoço de família

Ir para a rua dançar de madrugada

Deitar na grama pra ver as estrelas

Sentar na praça num dia de domingo

Pra ver o tempo passar

Quero você comigo pra viver e sonhar contigo

Te contar o meu dia

E ouvir cada detalhe do seu

Gosto de ser um clichê com perninhas

De ser romântica á moda antiga

De fazer rima e poesia

E por qualquer que seja

O motivo ou a razão

Não saia aqui do meu lado

Deixa eu te amar calmamente

Quero envelhecer contigo

Porque ando viciada no pronome nós

Em te ter aqui por perto

Pra passear no parque

Viajar o mundo

Dormir junto numa noite fria

Quero você comigo

E viver tudo aquilo que a gente sonhar

Crescer e cair ao seu lado

Levantar e sorrir com você

Não há nada melhor em saber

Que tenho aqui presente

Meu porto seguro e meu riso

A todo instante e momento