Barcelia

O sol se punha por trás da grande cidade, a poeira deixada para trás depois do longo dia se espalhava pelo ar e refletia em dourado os raios de luz. Mal reparava-se na pequena sombra que seguia em direção oposta a de todos os habitantes da cidade. Na borda do mundo conhecido, bem na beira do precipício, ficava a grande cidade de Barcellia. Depois da beira vinha o abismo e mais nada que eles pudessem dizer além de névoas e queda. De um lado, punha-se o sol, do outro erguiam-se as luas, uma azul e uma vermelha. E naquele horário sagrado, todos voltavam-se para  a luz, com os corações preenchidos de medo, não queriam que o Negro se levanta-se com as luas, e por isso seguiam todos para a borda sul do precipício, para presenciar o último resquício de luz. De olhos baixados para o chão, andando a passos apresados tentava inutilmente seguir pela sombra, Gaia sabia que tinha que aproveitar os últimos momentos de luz para começar sua fuga, ou nunca conseguia escapar. Aquele era o momento perfeito, todos da cidade estavam ocupados demais com suas orações para vê-la ou impedi-la, mesmo os guardar estavam do outro lado da cidade e demorariam mais de uma hora para chegar até ela. Ao chegar ao portão norte suspirou, pegou o velho equipamento de escalada e olhou pela última vez para a cidade. O último raio de sol brilhou.

Barcellia

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