Triteza

O sentimento está ali, ele é pesado e cansativo. É como se afogar aos poucos, no começo você se debate e tenta nadar, você une todas as suas forças para se manter na superfície. Mas as ondas não param, elas continuam vindo. E você já não sabe se são as ondas que ficam mais fortes, ou se é você quem fica mais fraco. Mas a verdade é que a cada segundo que passa você tem um pouco menos força, um pouco menos de vontade. Os seus braços começam a arder com o esforço, seus olhos não conseguem se manter abertos, sua garganta está seca e rouca.

E aos poucos você para de agitar os braços e tentar nadar, apenas para sentir o alivio da tensão se dissipando. Você para de tentar abrir os olhos em busca de uma saída. Você para de gritar por ajuda e por socorro. E  aos poucos, todo o seu corpo vai relaxando e se soltando. A força e a vontade se esgotam, e você começa aos poucos a descer, até que a luz e o ar tenham sumido. Cada vez mais para o fundo, onde não há dor, onde não há a tensão e a vontade, onde não tem problema parar.

E é então quando você para completamente imóvel no fundo, sem luz, sem ar e sem esperança, que o desespero começa. A água invade sua garganta e seus pulmões e você tenta voltar a superfície, mas está longe demais, está sem força demais. É nesse momento que sua dor atinge o ápice, e você se dá conta de que toda a dor que você já sentiu não é nada quando comparada a dor de sentir seus pulmões se enchendo com água.

Até que não exista mais dor, nem agonia, nem vida.

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