Amores

Ela estava recostada no peito dele enquanto via o episódio novo da série que assistiam juntos. A cadeira era pequena, mas aparentemente no tamanho perfeito para abrigar aos dois. Uma das mãos dele segurava firme em sua cintura, enquanto a outra acariciava preguiçosamente o seio esquerdo. Sem desviar os olhos da tela, ela ria e beijava o canto dos lábios dele. Enquanto ele se aconchegava na curva do pescoço dela. Estavam sempre assim, meio amontoados um em cima do outro, equilibrando-se levemente para não cair no chão.

O apartamento meio vazio, meio cheio de caixas de uma mudança em andamento. Os moveis bagunçados, encaixotados e fora do lugar. Mas ainda assim era um lugar acolhedor e convidativo. O cigarro compartilhado passava de lábios em lábios, enquanto a penumbra preenchia a sala. A noite chegava despercebida para eles, que estavam mergulhados neles mesmos.

Com o fim do episódio, saíram de seu pequeno mundo particular e de volta a realidade. Ele a abraçou mais forte, aproximando-a de si, “não vai agora não, tá tão gostoso aqui” ele sussurrou para a clavícula dela. Uma de suas mãos entrando por de baixo da blusa e chegando até o seio dela, enquanto a outra descia e a segurava por baixo. Ela não resistiu, e deixou-se levar pelos carinhos, recostou a cabeça no ombro dele e fechou lentamente os olhos.

A noite invadia cada canto do apartamento agora escuro, e eles não se importaram em acender nenhuma luz. Deitados contra o chão de madeira, o calor do verão entrava pelas janelas abertas. Acariciados pela noite e pela penumbra, ninguém para presenciar o amor deles a não ser pelos gatos.

Ele a tocava de olhos fechados, as mãos passeando pelo corpo que conhecia tão bem, melhor que o dele próprio. Ela respondia os carinhos com igual intensidade, tocando-o como apenas ela havia aprendido a fazer, cada pequeno segredo, cada pequeno prazer. Em sua primeira noite juntos no novo apartamento, com um novo começo e uma nova vida, eles começavam um novo amor.

Seus risos e gemidos preenchiam o vazio deixado pelos móveis, estreando cada pedaço e parte do novo apartamento com suas poses favoritas, eles terminaram no quarto, ofegantes e exaustos. Aninhada em seu peito novamente, ela parecia sempre menor do que realmente era, como se ele pudesse abraça-la por completo e escondê-la do resto do mundo, seria seu pequeno segredo do resto do mundo. Com o coração ainda acelerado ela abraçou-se fortemente a ele, sentindo-se segura e em casa. Nenhum dos dois falava nada, palavras eram desnecessárias, seus corpos tinham tido um longa e exaustiva conversa.

Deixou-a deitada confortavelmente na cama e foi buscar a comida japonesa que havia, finalmente, chegado. Na cama nus, eles riam enquanto comiam e planejavam seu futuro juntos. Nada de errado podia acontecer, nenhum mal podia se abater sobre eles, eram jovens, apaixonados e tinham todo o tempo do mundo para realizar todos os seus sonhos.

 

Não quis interromper,  fiquei quieta em um canto apenas observando, tão raro ver dois jovens sonhando acordados, que fiquei com pena de atrapalhar com minhas preocupações e responsabilidades. Sai como entrei, sem nenhum baralho, com a lembrança daqueles sorrisos na memória.

Ass, realidade.

Real love

Some people read stories about real love, and how couple are happy together, and they want that for their lives. And that’s normal. What I think isn’t normal is that they want it now and fast. True love kind lost it meaning because of the amount of “Real True Love Stories” you got books, movies, poetry, music, tv shows and the internet.

People are forgetting that find real love it’s very hard and complicated. They think that will be easy and natural, and the truth is that woun’t. True and real love is not about how easy it is, but how hard you want to dedicate yourself to the love that you have found.  The most important thing about love is dedication, you have to dedicate yourself to the other, and the other must dedicate him or herself to you.

Every relationship have problems, that’s normal, not having problems is the freaky thing. The trick is stop everything else and resolve the problem. Then you can go on and love. Love is about fighting and arguing, but is also about resolving problems and staying together.  That’s love.

Love is just measure by itself. Is’t not about the beauty, the thoughts, the likes or dislikes, the gender or the political views that the other have, but about who he really is. And that’s something you send a life time trying to understand. That’s love, is understand that you will try every day know who you are and who the person next to you, and know that you both will change, and love the person that you were and the person you are now.

You don’t love the body, the ideas, the beauty or the gender. You love the soul that lives inside. I’m not religious, I don’t believe in god or thing like that, for me soul is the something special that makes art, literature, music, big changes, little changes, the creativity that makes things, the one thing that make us humans.

Menino e seu pai

Eles eram felizes juntos e ficaram ainda mais felizes com a grande descoberta, seriam três e não mais dois. Veio o primeiro chute, o primeiro banho, a primeira palavra, e tantas outras primeiras vezes que eles mal conseguiam contar. O tempo passou, e o pequeno cresceu, e com o tempo cresceu também a vida deles, a responsabilidades, o trabalho, as contas, a pressa, a pressão, a falta de tempo.

Logo, com o tempo, o pequeno corria para receber o pai, feliz por reencontrá-lo depois do dia separados, mas como todos os dias, o pai, depois de um sorriso cansado e um cafuné nos cabelos do pequeno desculpou-se “Tinha trabalho a fazer”. Todos os dias a mesma epopeia se repetia e sozinho o pequeno ia, brincar solitário com os brinquedos que não respondiam, não contavam histórias, não faziam carinho, não beijavam, não abraçavam e só estavam ali.

Os dias se tornaram meses, e os meses se tornaram anos, e a noite ao dormir o pequeno, que agora estava grande, abraçava e beijava o pequeno ursinho com quem havia brincado durante toda a sua infância. E nos corredores da mesma casa, via passar aquele estranho parecido com ele próprio. Eles diziam “Olá” e “Bom dia”, mas no fundo não sabia dizer quem eram, ou o que faziam, ou o que queriam, ou com o que sonhavam.  Mesmo o cachorro, aquele ser esquisito que não falava sequer a mesma língua que ele, era mais próximo do coração do menino.

Em um desses dias de idas e vindas pelo corredor da casa, o velho pai parou e encarou os olhos do estranho que havia criado e segurou seu rosto, aquele que tinha os mesmo olhos que ele, a mesma cor do cabelo e formato do rosto, um reflexo perfeito de quem havia sido. E ao olhar bem para os olhos daquele homem, percebeu que não conhecia a mente e o coração por trás, não sabia quais eram os sonhos e desejos, não conhecia as aspirações, medos, vontades nem mesmo se lembrava do som da risada dele.

Por um segundo suspenso, o pequeno agora um homem, esperou ansioso pelo momento no qual o pai iria convidá-lo para algo, qualquer coisa que seja, iria abrir um sorriso e conversar com ele. Mas o segundo passara e com ele o momento, o velho balançou os cabelos, soltou as mãos do rosto de seu espelho passado e continuou seu caminho pelo corredor. O jovem homem acompanhou com os olhos enquanto o outro mais velhos descia corredor abaixo. Ele era seu herói, seu ídolo e um estranho.

“O tempo só nos dá uma única chance para viver, não há voltas, não há refazer, não há apagar e fazer de novo. Aproveite bem a sua chance, antes que acabe o seu tempo. Nossas vidas são aquilo que fazemos dela.”

Eu te amo

Chego perto e ele está de costas distraído dedilhando o violão, sinto seu cheiro de sal e sol. É uma mistura engraçada, que faz cocegas no meu nariz, ele é salgado e quente, como o mar que tanto ama. Abraço suas costas e deito minha cabeça em seu ombro, ele não reage, continua dedilhando o violão. Estamos juntos há pouco tempo, mas já nos acostumamos um com o outro, nossas manias, nossos jeitos, nossa presença, de repente me percebo viciada em nós.

O cabelo queimado de sol e a pele arrepiada com o vento frio e a água morna. A areia dança abaixo de nossos pés enquanto ele dedilha em seu velho violão. As nuvens passam aproveitando a carona da brisa de verão, o tempo passa despercebido por nós, sem relógio, sem hora, sem marcação. Em silêncio dizemos tudo o que sentimos, aproveitando cada segundo que podemos, antes que o momento da partida chegue novamente. Ainda assim, por maior que seja a tristeza de partir, nunca será maior que o prazer do reencontro.

Uma única lagrima escorre solitária de meus olhos, desce por meu rosto e molha as costas dele. Deixo com ele um motivo para retornar, uma esperança que nunca se acaba; a certeza da felicidade que estará sempre conosco, não importando a distancia que nos separe. Ele deixa o violão e me segura em seus braços, o conforto e a segurança de meu lar. Casa é onde está nosso coração, não as paredes, não as portas nem as janelas. É o coração que se prende ao nosso que chamamos de lar. Um cálido beijo na testa sela minha tristeza e eu sorrio, é impossível não sorrir para ele.

Nosso amor tem cheiro de sal e sol, tem o perfume de um livro antigo e conhecido, tem o aroma de uma manhã de domingo. A saudade de estar longe, mesmo que por um dia, sempre estará presente, mas assim também como a ansiedade do próximo abraço e da próxima risada. Aconchego em seu sorriso, em seus carinhos. Ele acalma minha alma, é minha paz. Adormeço, não importa quão forte seja o vento, o mar e a chuva; meu lar está em um terreno sólido e seguro junto ao coração dele.

A noite chega, sem estrelas, apenas com a lua a iluminar as águas escuras. A noite é escura e densa, mas a lua brilha forte no céu, enquanto o mar lava da terra todo o medo, a lua guia de volta para casa, para o lar, que nunca deixamos para trás.

Amores Viciados

Estava pensando em todos os amores que tive, em todas as vezes que tive o coração partido, no medo que criei em amar e ter o coração partido novamente. Em todas as barreiras que criei e esperanças que perdi. Penso em toda a desilusão que a vida me ensinou a ter com o amor. E como tudo isso me impede de amar livremente como da primeira vez, como isso me impede de ser feliz como dá primeira vez, e como agora só restaram cicatrizes e lagrimas, ironica e sarcasmo…

Pensando em tudo isso achei o poema “Nós dois” Da Vilma Galvão que descreve bem essa minha sensação

Queria ter lhe conhecido antes,
muito antes…
Para que nenhum de nós dois tivesse
medos ou cicatrizes.
Queria ter estado com você,
quando seu coração descobriu
o que era AMOR.
Quando seu corpo descobriu
o que era DESEJO.
E antes que pudesse sofrer,
eu estaria do seu lado,
amando-lhe.
entregando-me,
e juntos poder ter aprendido,
as lições da vida e do coração…
Queria ter te conhecido muito antes…
Quando suas esperanças
começaram a nascer,
quando seus sonhos ainda eram puros,
e seus ideais ainda ingênuos…
Pena termos nos encontrado só agora,
já com o coração viciado
em outros amores,
com uma imagem meio falsa,
do que é felicidade,
do que é entregar-se…
Queria ter lhe encontrado antes,
muito antes…
Numa nova vida,
num outro tempo,
em que não precisássemos
temer o nosso futuro,
nem nossos sentimentos…

Ah! como eu queria!
Mas, não foi assim, te conheci agora…
na hora certa?, no momento certo?…
eu não sei…

Só sei que te encontrei agora e,
na sua vida, se você quiser, para sempre…
eu ficarei…!