Algum presente

Sentada na poltrona, enrolada em um cobertor, um cigarro preso entre os lábios pensativos, a caneta vermelha dançava no ar compenetrada em seu trabalho de editar, a caneca de chá ao alcance da mão livre e a fumaça crescia ao seu redor. O cabelo meio preso, meio solto, com algumas mechas ao seu redor esvoaçando enquanto virava a cabeça lentamente acompanhando as curvas das frases.

O sutiã preto rendado, o batom meio apagado e a maquiagem meio borrada. Era um final de dia difícil, mas ainda assim o final. Ela logo largaria suas páginas por editar, trocaria o chá quente por um vinho tinto, faria carinho entre as orelhas do cachorro, andaria descalça pela casa enrolada em seu fiel cobertor, se largaria no sofá do mesmo jeito que estava (sutiã, shorts e cobertor) e entraria nos sonhos com o gato no colo e o cachorro aos seus pés.

Ele só chegaria mais tarde, bem mais tarde. As folhas do dia largadas sobre a mesa ao lado da poltrona, cheias de marcas da caneca de chá e agora seguradas pela caneca. Os cigarros amontoados ao lado, empilhados no cinzeiro. A taça de vinho em cima da mesa de jantar, no meio do caminho entre o quarto e o sofá. E ela… ela aconchegada no sofá dormindo, sem ter (novamente) conseguido resistir aos sonhos ao esperar por ele. O gato continuava servilmente com ela, quase um ursinho de pelúcia enquanto o cachorro esquentava o outro lado do sofá aos seus pés. O cobertor meio jogado meio cobrindo o pijama nada convencional no qual ela acabava dormindo a maioria das noites.

Ele iria estar ali, olhando, imaginando, suspirando. Ela teria se espreguiçado do sonho bom que estava e caído na realidade olhando os olhos dele. O gato pularia e o cachorro o seguiria, indo cada um para sua cama. Ele deitaria-se com ela, no sofá mesmo. Ela o receberia convidativa e quente, de braços abertos. E eles ficariam ali, abraços na penumbra da televisão que brilhava com algum filme. Sem falar do dia cansativo, sem reclamar de algum chefe ou do trabalho, sem pensar, sem planejar nada. Aconchegando-se nos braços um do outro, recarregando as energias, abastecendo as forças e amortecendo a saudade.

Ele teria levantado-se cansado, “vem, é hora de ir pra cama”, ela ainda sonolenta, viraria-se de lado e negaria com a cabeça, espalhando o cabelo em todas as direções. Ele teria rido e a pegou no colo, jogou-a por cima do ombro, fazendo-a gritar de surpresa e rir. Enquanto ela tentaria se libertar, ele a jogaria na cama e a seguiria contente. Os risos e sorrisos dos dois juntos iriam ecoar pela doce noite mansa do apartamento. As sombras aveludadas abafariam levemente o som para que não se propagasse além da felicidade dos dois.

As horas teriam passado desapercebidas e deliciosas para os dois. A luz da lua teria caminhado livremente pelos cantos obscuros do apartamento e saído com a chegada da manhã. Mas nada disso aconteceu. Nada disso foi possível. Por que a realidade aconteceu em algum momento entre a chegada e a partida impedindo que a rotina normal se desenrolasse. Tudo teria acontecido normalmente, se no caminho para casa não tivessem manchado de vermelho vivo a neve fresca e a camisa nova que ela tão amavelmente havia comprado para ele.

A rotina saborosa deles teria acontecido e levando ao mesmo prazeroso fim de todos os dias, se naquele dia a realidade brutal não tivesse requisitado presença na vida dos dois, pintando com medo e terror uma noite de céu estrelado sem nuvens. Mas a realidade, cruel, resolveu se intrometer nos planos deles.

Sua garota é adorável, Hubbell

A fumaça preenchia lentamente o ambiente. Apenas o rastro do perfume dela havia ficado. Nenhum fio de cabelo, nenhum livro, cd, filme, calcinha ou pijama havia ficado para trás. Se perguntava se era melhor assim, pensava se ela algum dia teria uma boa escolha, mas mais doloroso ainda era se perguntar se ele havia sido uma boa escolha.

E por mais que quisesse negar, as evidencias diziam que não. Tudo com ela era fácil e leve, o cheiro, o cabelo, o sorriso, até o seu jeito de pensar era leve e ao mesmo tempo inebriante. Sua garota é adorável, Hubbell. Apesar que dessa vez ele era a garota. Apagou o cigarro no cinzeiro já transbordando e desceu da janela. Se esqueceu que poderia fumar em qualquer lugar, ela não estava mais ali para vigiar o aroma da casa, mas certos hábitos demoram a se perder.

Pensativo e absorto em seus pensamentos, jogado na cama folheando outro livro não viu as sombras do quarto migrarem de uma ponta a outra e desaparecerem dentro da noite. O luminoso do hotel do outro lado da rua iluminava de vermelho e azul o interior do quarto, e manchava de vermelho as páginas brancas do livro. Era esse o problema, pensava demais, complicava demais, era complexo demais. Onde ela via um simples caminho, ele via ramificações, encontros, bifurcações e encruzilhadas.

Um desejo pulsante dentro de si queria ser simples e fácil como ela é. Mas é algo que ia contra sua natureza, contra seu ser. Não poderia ir contra si mesmo. Ao se levantar para dar  comida ao cachorro, notou a falta da bagunça, das roupas jogadas pelo chão, dos copos e canecas espalhados pela casa. O apartamento estava limpo e organizado, como era antes dela. Como se ela nunca tivesse posto os pés, mãos, pernas, braços, cabeça e tronco para dentro. A raiva que crescia dentro dele desde a última vez que ela saiu do apartamento hoje estava controlada, amenizada, anestesiada.

A verdade, a mentira e a ilusão eram coisas com quais debatia todos os dias, mas cada vez menos, cada diz menos. Mas por hoje, por hoje foi tirando peça por peça, largando-as soltas pelo apartamento. Comeu na cama, não lavou o prato e foi dormir com um copo cheio ao lado da cama.

Não podia ser simples, não podia ser descomplexado e não podia não pensar ou pensar pouco. Mas podia deixar a casa um pouquinho bagunçada, podia se soltar um pouco. Aquele era o seu jeito de dizer “Sua garota é adorável, Hubbell”.

Antes que a velhice chegue

Eram quatro horas da tarde quando ela começou a ver os antigos cadernos. As mãos enrugadas e e os olhos cansados passavam lentamente pelas páginas amareladas. A letra redonda e firme não era mais a mesma. Muitos anos tinham se passado, mais de 50, e agora restavam apenas as memórias, e aqueles cadernos. 

A casa grande e bem decorada não emitia um som a sua volta, nada se mexia, nada acontecia. No andar superior, as joias, sapatos e roupas estavam comportados em seus lugares. Nem sequer o vento ou a brisa de inverno se atrevia a bagunça ou lugar ou perturbar o silêncio. 

Lembrou de seus sonhos de menina, as aventuras que queria viver quando jovem, os lugares que desejava conhecer. Mas as contas se acumulavam, e nada ficava mais fácil. Começou a trabalhar, a pagar as contas, a ter dinheiro para comprar todas as belas coisas que seu bolso desejava. Seus sonhos foram ficando pequenos, difíceis, mal pagos. Comprou um apartamento maior, mais bonito. Planejou uma viagem para Europa, que nunca foi pois tinha que trabalhar. Mas o dinheiro tinha, para viajar o mundo todo. 

Eram mais de dez horas da noite quando se levantou da poltrona confortável e seguiu para o quarto. Os sonhos, viagens e todo o resto deixados para trás juntamente com os cadernos antigos. Quando se deitou, adormeceu imediatamente devido ao remédio que o médico particular recomendara. 

 

 

Estava sentada sozinha na mesa de um café no centro da cidade. Café preto, simples, barato e quente. Era o que podia pagar para se aquecer naquela manhã fria de setembro. Tinha nas mãos três cartas, a primeira de uma empresa multinacional oferecendo um salário desrespeitoso de tão grande. A segunda do jornal que sempre amara, dizendo que havia conseguido e para ser efetiva deveria ir até lá para acertar a papelada, no final o pequeno salário era quase menor do que o corpo da letra na carta. A terceira era a do cartão de crédito.

Era um sonho, não era real, por isso escolheu com seu coração. Jogou a carta da empresa multinacional no lixo, colocou as outras duas na bolsa e foi realizar seu sonho. Viajou o mundo, conheceu o amor de sua vida em uma das viagens, casou, adotou uma filha, foi feliz. Não mais despertou de seu sonho, viveu-o até a velhice, em meio aos netos e bisnetos.  A casa cheia e simples. 

O que ela não sabia era que o sonho era realidade, e as vezes, raras vezes, temos a chance de viver de novo. Não espere viver de novo, pois você pode não ter a segunda chance, aproveite enquanto você ainda respira livremente. 

Menino e seu pai

Eles eram felizes juntos e ficaram ainda mais felizes com a grande descoberta, seriam três e não mais dois. Veio o primeiro chute, o primeiro banho, a primeira palavra, e tantas outras primeiras vezes que eles mal conseguiam contar. O tempo passou, e o pequeno cresceu, e com o tempo cresceu também a vida deles, a responsabilidades, o trabalho, as contas, a pressa, a pressão, a falta de tempo.

Logo, com o tempo, o pequeno corria para receber o pai, feliz por reencontrá-lo depois do dia separados, mas como todos os dias, o pai, depois de um sorriso cansado e um cafuné nos cabelos do pequeno desculpou-se “Tinha trabalho a fazer”. Todos os dias a mesma epopeia se repetia e sozinho o pequeno ia, brincar solitário com os brinquedos que não respondiam, não contavam histórias, não faziam carinho, não beijavam, não abraçavam e só estavam ali.

Os dias se tornaram meses, e os meses se tornaram anos, e a noite ao dormir o pequeno, que agora estava grande, abraçava e beijava o pequeno ursinho com quem havia brincado durante toda a sua infância. E nos corredores da mesma casa, via passar aquele estranho parecido com ele próprio. Eles diziam “Olá” e “Bom dia”, mas no fundo não sabia dizer quem eram, ou o que faziam, ou o que queriam, ou com o que sonhavam.  Mesmo o cachorro, aquele ser esquisito que não falava sequer a mesma língua que ele, era mais próximo do coração do menino.

Em um desses dias de idas e vindas pelo corredor da casa, o velho pai parou e encarou os olhos do estranho que havia criado e segurou seu rosto, aquele que tinha os mesmo olhos que ele, a mesma cor do cabelo e formato do rosto, um reflexo perfeito de quem havia sido. E ao olhar bem para os olhos daquele homem, percebeu que não conhecia a mente e o coração por trás, não sabia quais eram os sonhos e desejos, não conhecia as aspirações, medos, vontades nem mesmo se lembrava do som da risada dele.

Por um segundo suspenso, o pequeno agora um homem, esperou ansioso pelo momento no qual o pai iria convidá-lo para algo, qualquer coisa que seja, iria abrir um sorriso e conversar com ele. Mas o segundo passara e com ele o momento, o velho balançou os cabelos, soltou as mãos do rosto de seu espelho passado e continuou seu caminho pelo corredor. O jovem homem acompanhou com os olhos enquanto o outro mais velhos descia corredor abaixo. Ele era seu herói, seu ídolo e um estranho.

“O tempo só nos dá uma única chance para viver, não há voltas, não há refazer, não há apagar e fazer de novo. Aproveite bem a sua chance, antes que acabe o seu tempo. Nossas vidas são aquilo que fazemos dela.”

Dia de Domingo

Oh meu querido 
venha cá comigo 
vamos sentar na rede 
ver o mundo girar 
e as núvens passar 

Ficar na cama em dia de domingo 
me abraçar bem forte
vem comigo brincar 
vamos fingir ser criança 
sem sequer pensar 

Vem comigo ouvir um blues 
imaginar bobagens
planejar nas tardes um sonho bom 
ver estrelas ao amanhecer 
vem rir e cantar 

Ficar na cama em dia de domingo 
me abraçar bem forte
vem comigo brincar 
vamos fingir ser criança 
sem sequer pensar

Vem pra mim sem pressa
me trazer a calma
de um amor bom 
nessa crônica diaria 
de nossa receita casal 

Ficar na cama em dia de domingo 
me abraçar bem forte
vem comigo brincar 
vamos fingir ser criança 
sem sequer pensar

Vem girar comigo
construir no mundo
um lugar só nosso 
onde se possa rir 
pro tempo não passar

Amores Viciados

Estava pensando em todos os amores que tive, em todas as vezes que tive o coração partido, no medo que criei em amar e ter o coração partido novamente. Em todas as barreiras que criei e esperanças que perdi. Penso em toda a desilusão que a vida me ensinou a ter com o amor. E como tudo isso me impede de amar livremente como da primeira vez, como isso me impede de ser feliz como dá primeira vez, e como agora só restaram cicatrizes e lagrimas, ironica e sarcasmo…

Pensando em tudo isso achei o poema “Nós dois” Da Vilma Galvão que descreve bem essa minha sensação

Queria ter lhe conhecido antes,
muito antes…
Para que nenhum de nós dois tivesse
medos ou cicatrizes.
Queria ter estado com você,
quando seu coração descobriu
o que era AMOR.
Quando seu corpo descobriu
o que era DESEJO.
E antes que pudesse sofrer,
eu estaria do seu lado,
amando-lhe.
entregando-me,
e juntos poder ter aprendido,
as lições da vida e do coração…
Queria ter te conhecido muito antes…
Quando suas esperanças
começaram a nascer,
quando seus sonhos ainda eram puros,
e seus ideais ainda ingênuos…
Pena termos nos encontrado só agora,
já com o coração viciado
em outros amores,
com uma imagem meio falsa,
do que é felicidade,
do que é entregar-se…
Queria ter lhe encontrado antes,
muito antes…
Numa nova vida,
num outro tempo,
em que não precisássemos
temer o nosso futuro,
nem nossos sentimentos…

Ah! como eu queria!
Mas, não foi assim, te conheci agora…
na hora certa?, no momento certo?…
eu não sei…

Só sei que te encontrei agora e,
na sua vida, se você quiser, para sempre…
eu ficarei…!

Entre amor e amizade

“Eu não te amo”. A frase parecia simples, a implicação nem tanto. Embora fosse uma verdade que ambos conheciam assumi-la em voz alta era confirmar sua veracidade e ele não sabia se poderia suportar ouvir aquela verdade. Sabia daquilo, sempre soubera daquilo, apenas não gostava de lembrar daquilo. Suspirou e encarou-a nos olhos, procurando algum vestígio de mentira, de ironia, de sarcasmo, de qualquer coisa que não fosse verdade.

Mas no olhar tão conhecido, encontrou apenas aquilo que mais temia, a confirmação da verdade, da certeza, sem a menor sombra de algo por perto. Conheciam-se há tanto tempo, tantos anos, quantas histórias… era impossível dizer ao certo. Levantou-se da cama, e com um último olhar deixou o quarto. Sabia que ela sofria por fazê-lo sofrer, mas enquanto o via deixar o quarto não vacilou em seu olhar, pois sabia que se vacilasse, seria pior.

Era um amor destinado a ser fraterno, e não poderia ser nada alem disso. No começo, talvez houvesse uma chance, mas não depois dele. Aquela pessoa havia sido o começo de uma mudança que ele não conseguia sequer imaginar. Pois antes dele haviam existido muitos eles, mas nenhum que causasse alguma mudança. Mas ele mudou tudo, mudou inclusive ela, principalmente ela. No momento que os dois se conheceram, e ela decidiu que o queria, tudo havia mudado.

Sempre se encontravam sem querer, sem realmente planejar, simplesmente ao acaso. Descobriam aquela banda em comum, um autor preferido que compartilhavam, aquele lugar no bosque que ambos adoram e não vão desde crianças, um desenho não muito conhecido que amavam e ainda sabem cantar a música da abertura. De longe via desesperado aquele conhecimento entre eles aumentar.

De perto percebia sua relação com ela alterar-se completamente. E não sabia o que fazer, o que pensar, o que sentir. Era seu melhor amigo, quem a conhecia melhor, quem estava sempre com ela, mas o coração dela não pertencia a ele. Namoravam mas não eram namorados, eram amigos. Não havia amor, paixão, mas havia. Amava-a como não seria capaz de amar nenhuma outra mulher.

O único fio que ainda restava era o fato de que ele não a queria. Todos os dias agradecia por isso ainda não ter acontecido, por ela ainda estar com ele e não com o outro. A sombra do medo o perseguia a todo instante e a cada encontro, o pensamento de que cedo ou tarde ele iria querê-la. Quando acontecesse, não haveria volta, e não houve.

Naquela manhã fria e cinzenta, as preferidas dela, com um sorriso nos lábios mas não no rosto, um semblante sério, nada típico dela, chamou-o delicada, olhou-o nos olhos e contou. Contou tudo o que ele não queria saber, mas ela queria contar. Ele ouviu tudo a contra gosto, mas no final veio o pior, o ultimato, sem volta, sem retorno ou sequer uma saída de emergência.

“Você sabia, eu não te amo”. “Eu não te amo”. “Não te amo”. Não”. A frase parecia simples, a implicação nem tanto. Formada com um conjunto de palavras pequenas, mas que postas juntas geravam um significado muito grande. Não havia para fazer, e por isso deixou o quarto, olhou para atrás apenas para confirmar e, quando teve certeza, deixou apenas a tristeza tomar conta e as lagrimas caírem sem deixar que ela visse. A ausência dela estava ali, ali ficou e nada a curaria.

Eu, eu mesma, sem Irene

Diz a sabedoria popular, que se conhece alguém por suas pequenas manias. Assim como só se sabe de uma pessoa aquilo que ela partilha sobre si. Pensei muito no assunto nos últimos dias, e cheguei a seguinte conclusão : Nunca fui do tipo que mostra muito sobre si, talvez poucos, as vezes quase nada. Muitos se espantam quando digo que sou tímida, o que algumas pessoas não entendem é que ser expansiva nada mais é do que uma forma de defesa.  Você nunca pensa muito em uma serpentina, está ocupado demais acompanhando seu brilho.

 

Por isso, resolvi mostra algo sobre mim, afinal, sempre foi mais fácil ser sincera aqui, escondida atrás de um computador, protegida pela saudável distancia da internet. Me achem medrosa, cautelosa, o que for… sei que sou tímida e retraída, não há muito que eu possa fazer para mudar isso, talvez, apenas tentar contar um pouco sobre mim, para facilitar um entendimento mutuo.

 

1 – Sou completamente extremista, vou de um extremo ao outro sem sequer parar para pensar. Costumo dizer (para mim mesma) que sou tão calma quanto uma bomba prestes a explodir. A melhor metáfora que posso fazer é como se fosse uma explosão que está segura por uma fina camada de qualquer coisa, que por qualquer motivo a qualquer momento se desfaz e libera a explosão.

 

2 – Sou apreensiva com tudo que não compreendo. Calma, não é tanto assim. Minha ansiedade com coisas que não compreendo está ligada a pessoas, quando não entendo a pessoa ou suas atitudes em relação a mim, fico ansiosa, nervosa e neurótica.  Mas quando o oposto acontece, ou seja, quando entendo a pessoa ou seus atos, sou absolutamente calma e paciente.

 

3 – Quando explodo, as únicas coisas capazes de me acalmar são música ou livros.

 

4 – Meu melhor medidor de ansiedade é chocolate. Minha necessidade por chocolate é diretamente proporcional a minha ansiedade.

 

5 – Ler é minha maior paixão, meu maior vicio, minha principal forma de libertação. Uns tomam um golinho de vinho a noite, outros abrem uma cerveja, eu sento na cama e abro um livro.

 

6 – As coisas que mais me irritam são pessoas intrometidas, desrespeitosas ou fanáticas. Embora preconceituosos e machistas também me tirem do sério.

 

7 – Não gosto que me toquem, é um tique que sempre tive. Detesto abraços, não suporto beijinhos e tenho agonia mortal com pessoas que me tocam demais. Apenas permito que cheguem próximo de mim pessoas que eu gosto, e ainda sim, só quando estou com saudade, fora isso, nunca chegue muito perto de mim.

 

8 – Tenho uma lógica própria, um jeito meu de fazer ligações e correlações entre assuntos distintos. A maior parte das vezes nem eu mesma sei o porque ou como, então me perguntar esse tipo de coisa é irrelevante, eu não tenho as respostas.

 

9 – Tenho amor incondicional por cachorros, bebês e animais em geral. Tenho horror a pessoas que os maltratam.

 

10 – Tenho paciência quase infinita para ouvir problemas, dúvidas e anseios alheios, mesmo que não sejam meus amigos ou eu não tenha tanta intimidade.

 

11 – Raramente divido segredos, por isso quando o faço espero que vão com você para o tumulo. Sigo a mesma conduta com as pessoas que contam segredos, não revelo nada nem sob tortura.

 

12 – Meu três maiores sonhos são : morar em Londres, escrever um grande e bom livro, ter um filho.

 

13 – Meus números da sorte são sempre ímpares, ou 7 ou 13, as vezes 3 ou 5.

 

14 – Quando ando na rua, nunca piso em linhas.

 

15 – Tenho medo de espelhos e do escuro, e ainda mais de espelhos no escuro.

 

16 – Mexer no cabelo, unhas ou dedos demonstra nervosismo e apreensão, geralmente quando estou nervosa, sob pressão ou quando não sei o que fazer.

 

17 – Dançar na chuva, contar estrelas e dormir na rede são meus pequenos prazeres favoritos.

 

18 – Lírios e flores do campo são as minhas favoritas. Detesto rosas, principalmente o cheiro, acho fedido.

 

19 – Adoro cantar e contar. Contar histórias. Canto no banho, andando na rua. Conto história antes de dormir.

 

20 – Dificilmente confio em alguém, ou gosto de alguém, mas a partir do momento que confio ou gosto, nunca deixo de senti-lo. O sentimento pode mudar, de amizade para romance, de romance para amizade, carinho, mas não deixa de existir.

 

21 – Amor para mim é o silencio. É quando você consegue ficar ao lado de alguém sem dizer nada, por horas, e não sente aquele silencio desconfortável, não existe aquela necessidade de preencher  o vazio, porque não há vazio. Quando você conseguir ficar uma hora simplesmente ao lado de alguém, sem dizer nada, então você ama essa pessoa. Bom é o que eu acho.

Solidão

Uma confissão    Um texto antigo que achei no outro blog, editei e vou postar aqui. Espero que entendam, 

 

Estou sozinha. Não há nada a fazer sobre isso, a cada passo que dou mais sozinha eu fico. Eu não pertenço a lugar algum, não me sinto em casa, não tenho nenhum lugar que chame de lar, local algum me aconchega, não há para onde retornar, porque nunca houve de onde parti. Ao meu redor, a solidão física permeia o espaço. Embora eu não vá a lugar algum sem ninguém, estou sempre só.

Olho a minha volta, e é frustrante perceber que estou só, enquanto todos estão  juntos. A solidão aumenta. Descobrir-se nada para o mundo é algo que causa ânsia. Estou constantemente nauseada e sinto que posso vomitar a qualquer instante, ou chorar, dá no mesmo. Noção de qualquer coisa que seja me escapa pelos dedos. Desaprendi a viver com pessoas porque estou vazia delas. Vejo-as o tempo todo, converso, ouço, toco, mas elas nada significam, são como luz ou vento no espaço, devem estar ali para compor o ambiente, nada mais. Qual a utilidade de qualquer uma delas em minha vida?


A indiferença preenche-me quando as vejo, ouço e sinto. Nada me causam, nada me acrescentam, continuo inutilmente igual a antes.


Sinto-me cada vez mais irrelevante ao mundo, cada vez mais inútil e desproposital. Penso e falo, olho e sinto, cheiro e ouço, sem que significado algum se faça para mim. O mundo gira, o mundo para, o mundo volta. As pessoas continuam as mesmas de sempre. Todas são as mesmas horríveis e mesquinhas de antes. Todas ainda sorriem quando me vêem passar. No fundo sei que é enrolação, posso sentir o ódio dirigido a mim, no ambiente, no meio das frases, entre os olhares. Lufadas de um ódio primitivo rondam o ambiente a minha procura. Não posso, contudo gritar-lhes para que parem, eles não o dizem.
Continuo caminhando, a cada passo mais sozinha, mais distante. É um caminho sem volta, com uma passagem só de ida, Passargada me espera ao final da linha de metro, de lá pego um trem direto até o castelo do rei, meu amigo. A sensação de náusea não me deixa dormir, descansar, sonhar. O pensamento latejante grita-me que não presto, é insistente o bastante para manter-me sempre atenta e alerta. O cansaço vem, os dias sucedem-se, e no final nada mudou, nada nunca muda.


As pessoas ainda lutam para serem as melhores, sem se importar realmente com as outras. Todos sempre têm dentro de si um egoísmo negro e um narcisismo vermelho, que mascaram com sorrisos brancos em um mundo cor-de-rosa. O mundo fede, as pessoas fedem, a tudo. Desde inveja inescrupulosa, ao exarcebado consumismo e o capitalismo, que não passam de desculpas para que as pessoas possam tomar o querem sem se sentirem culpadas.


Tudo ruí a nossa volta, e ninguém vê ou se importa, porque todos estão conseguindo o que querem, e os que não conseguem, mal tem força para erguer-se e dizer, e mesmo que dissessem, ninguém os entenderia ou pararia para ouvir.


O mundo é uma merda. E as pessoas são uma merda. A vida é uma merda. E ainda sim estou aqui viva, agarrada com todas as forças a uma vida que não me faz bem, a uma vida que apenas me mostra desespero e impotência.


Estou viva dentro de um mundo que temo em deixar. Temo o dia que não abrir os olhos para ver o céu cinza e as nuvens negras, o sol escaldante e as pessoas nojentas e ignorantes. Temo o dia que não poderei correr por dentre os carros fumarentos e barulhentos, entrar em uma sala mal conservada e olhar para as caras feias de pessoas desconhecidas.


Sou uma louca sem noção. Quando olho para mim, vejo que nada tenho, nada tive. A solidão que me acompanha, irá deixar-me, quem sabe, no dia de minha morte. Nasci sozinha em uma quarta-feira fria. Vivi sozinha em um mundo gelado. Escondi-me no escuro, e olhei a viva através da fechadura de uma janela.


Restam-me as letras deixadas, as entrelinhas lidas, o entendimentos dos livros, pois sou tão grande quanto as páginas dos livros que vivo, e tão real quanto as letras que escrevo.
Sou uma louca por viver.
Sou uma louca por continuar vivendo.
Sou uma louca por querer viver.
Sou uma louca.
Vivo.
Vivendo.
Só.

Como ser nerd em 10 passos

Agora que ser nerd está na moda, e você como toda pessoa descolada e legal segue a moda. Você quer virar nerd também, mas está com dúvidas e não tem muita certeza do que fazer, bom, eu vou te ajudar.

1. Encontre um vicio nerd e aprofunde-se nele. Pode ser qualquer coisa, livros, quadrinhos, filmes, música, jogos, tecnologia, física, química, astronomia… não precisa ser apenas um, podem ser vários. Essa etapa dura cerca de 5 anos. + 30 de nerd

2. Se ambiente com a cultura nerd. Seu vicio nerd pode ser qualquer um, mas você deve conhecer o básico de toda a cultura nerd, os principais livros, filmes, jogos, assuntos. Essa etapa dura cerca de 2 anos. + 20 de nerd

3. Entre em foruns/salas de discussão online. Discutir, conversar e compartilhar informações e conhecimentos sobre sua nerdisse favorita é sempre necessario. Esse etapa não tem fim. + 7 de nerd

4. Gaste a maior parte do seu dinheiro comprando coisas nerds. Livros, quadrinhos, tecnologia… Não importa. + 5 de nerd

5. Passe dois ou três dias se dedicando inteiramente ao seu vicio. Todo nerd já fez isso alguma vez na vida, passou dois dias lendo o último livro de sua série de sci-fi favorita ou então não saiu da frente do videogame até zera-lo. Essa etapa dura dois ou três dias. + 5 de nerd

6. Adquira habitos nerds. Sites sobre o assunto, revistas, livros, redes sociais, mantenha-se sempre informado sobre o mundo nerd, além de jogar, reler e rever seus livros/quadrinhos/filmes/jogos favoritos. + 5 de nerd

7. Tenha pelo menos uma ideia louca o-mundo-seria-melhor-se-eles-fizessem-isso-do-meu-jeito ou algo do tipo. Ideias como se-eu-fizesse-isso-poderia-dominar-o-mundo ou eu-sou-um-gênio-e-vou-ser-famoso-fazendo-isso também são validas. Nada mais natural que um nerd queira ser como seus idolos, que nerd nunca quis ser/ter a vida do Steve Jobs, Neil Gaiman, Saramago, Kubrick ou tantos outros ? + 10 de nerd

8. Após tanto tempo em frente ao computador, televisão e lendo sob péssimas condições você tem/desenvolveu algum problema de vista. Compre óculos, não necessariamente você vai usar, mas sempre é bom te-los para alguma emergência. + 3 de nerd

9.Tenha em seu guarda roupa qualquer coisa que remeta a cultura nerd. Pode ser desde uma camiseta dos Beatles até uma capa do Gandald. + 10 de nerd

10. Vá pelo menos um vez em um feira/convenção/encontro/exposição sobre um assunto nerd. + 5 de nerd

LEVEL UP!
Parabéns, você agora é um nerd.