Amores Viciados

Estava pensando em todos os amores que tive, em todas as vezes que tive o coração partido, no medo que criei em amar e ter o coração partido novamente. Em todas as barreiras que criei e esperanças que perdi. Penso em toda a desilusão que a vida me ensinou a ter com o amor. E como tudo isso me impede de amar livremente como da primeira vez, como isso me impede de ser feliz como dá primeira vez, e como agora só restaram cicatrizes e lagrimas, ironica e sarcasmo…

Pensando em tudo isso achei o poema “Nós dois” Da Vilma Galvão que descreve bem essa minha sensação

Queria ter lhe conhecido antes,
muito antes…
Para que nenhum de nós dois tivesse
medos ou cicatrizes.
Queria ter estado com você,
quando seu coração descobriu
o que era AMOR.
Quando seu corpo descobriu
o que era DESEJO.
E antes que pudesse sofrer,
eu estaria do seu lado,
amando-lhe.
entregando-me,
e juntos poder ter aprendido,
as lições da vida e do coração…
Queria ter te conhecido muito antes…
Quando suas esperanças
começaram a nascer,
quando seus sonhos ainda eram puros,
e seus ideais ainda ingênuos…
Pena termos nos encontrado só agora,
já com o coração viciado
em outros amores,
com uma imagem meio falsa,
do que é felicidade,
do que é entregar-se…
Queria ter lhe encontrado antes,
muito antes…
Numa nova vida,
num outro tempo,
em que não precisássemos
temer o nosso futuro,
nem nossos sentimentos…

Ah! como eu queria!
Mas, não foi assim, te conheci agora…
na hora certa?, no momento certo?…
eu não sei…

Só sei que te encontrei agora e,
na sua vida, se você quiser, para sempre…
eu ficarei…!

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Eu, eu mesma, sem Irene

Diz a sabedoria popular, que se conhece alguém por suas pequenas manias. Assim como só se sabe de uma pessoa aquilo que ela partilha sobre si. Pensei muito no assunto nos últimos dias, e cheguei a seguinte conclusão : Nunca fui do tipo que mostra muito sobre si, talvez poucos, as vezes quase nada. Muitos se espantam quando digo que sou tímida, o que algumas pessoas não entendem é que ser expansiva nada mais é do que uma forma de defesa.  Você nunca pensa muito em uma serpentina, está ocupado demais acompanhando seu brilho.

 

Por isso, resolvi mostra algo sobre mim, afinal, sempre foi mais fácil ser sincera aqui, escondida atrás de um computador, protegida pela saudável distancia da internet. Me achem medrosa, cautelosa, o que for… sei que sou tímida e retraída, não há muito que eu possa fazer para mudar isso, talvez, apenas tentar contar um pouco sobre mim, para facilitar um entendimento mutuo.

 

1 – Sou completamente extremista, vou de um extremo ao outro sem sequer parar para pensar. Costumo dizer (para mim mesma) que sou tão calma quanto uma bomba prestes a explodir. A melhor metáfora que posso fazer é como se fosse uma explosão que está segura por uma fina camada de qualquer coisa, que por qualquer motivo a qualquer momento se desfaz e libera a explosão.

 

2 – Sou apreensiva com tudo que não compreendo. Calma, não é tanto assim. Minha ansiedade com coisas que não compreendo está ligada a pessoas, quando não entendo a pessoa ou suas atitudes em relação a mim, fico ansiosa, nervosa e neurótica.  Mas quando o oposto acontece, ou seja, quando entendo a pessoa ou seus atos, sou absolutamente calma e paciente.

 

3 – Quando explodo, as únicas coisas capazes de me acalmar são música ou livros.

 

4 – Meu melhor medidor de ansiedade é chocolate. Minha necessidade por chocolate é diretamente proporcional a minha ansiedade.

 

5 – Ler é minha maior paixão, meu maior vicio, minha principal forma de libertação. Uns tomam um golinho de vinho a noite, outros abrem uma cerveja, eu sento na cama e abro um livro.

 

6 – As coisas que mais me irritam são pessoas intrometidas, desrespeitosas ou fanáticas. Embora preconceituosos e machistas também me tirem do sério.

 

7 – Não gosto que me toquem, é um tique que sempre tive. Detesto abraços, não suporto beijinhos e tenho agonia mortal com pessoas que me tocam demais. Apenas permito que cheguem próximo de mim pessoas que eu gosto, e ainda sim, só quando estou com saudade, fora isso, nunca chegue muito perto de mim.

 

8 – Tenho uma lógica própria, um jeito meu de fazer ligações e correlações entre assuntos distintos. A maior parte das vezes nem eu mesma sei o porque ou como, então me perguntar esse tipo de coisa é irrelevante, eu não tenho as respostas.

 

9 – Tenho amor incondicional por cachorros, bebês e animais em geral. Tenho horror a pessoas que os maltratam.

 

10 – Tenho paciência quase infinita para ouvir problemas, dúvidas e anseios alheios, mesmo que não sejam meus amigos ou eu não tenha tanta intimidade.

 

11 – Raramente divido segredos, por isso quando o faço espero que vão com você para o tumulo. Sigo a mesma conduta com as pessoas que contam segredos, não revelo nada nem sob tortura.

 

12 – Meu três maiores sonhos são : morar em Londres, escrever um grande e bom livro, ter um filho.

 

13 – Meus números da sorte são sempre ímpares, ou 7 ou 13, as vezes 3 ou 5.

 

14 – Quando ando na rua, nunca piso em linhas.

 

15 – Tenho medo de espelhos e do escuro, e ainda mais de espelhos no escuro.

 

16 – Mexer no cabelo, unhas ou dedos demonstra nervosismo e apreensão, geralmente quando estou nervosa, sob pressão ou quando não sei o que fazer.

 

17 – Dançar na chuva, contar estrelas e dormir na rede são meus pequenos prazeres favoritos.

 

18 – Lírios e flores do campo são as minhas favoritas. Detesto rosas, principalmente o cheiro, acho fedido.

 

19 – Adoro cantar e contar. Contar histórias. Canto no banho, andando na rua. Conto história antes de dormir.

 

20 – Dificilmente confio em alguém, ou gosto de alguém, mas a partir do momento que confio ou gosto, nunca deixo de senti-lo. O sentimento pode mudar, de amizade para romance, de romance para amizade, carinho, mas não deixa de existir.

 

21 – Amor para mim é o silencio. É quando você consegue ficar ao lado de alguém sem dizer nada, por horas, e não sente aquele silencio desconfortável, não existe aquela necessidade de preencher  o vazio, porque não há vazio. Quando você conseguir ficar uma hora simplesmente ao lado de alguém, sem dizer nada, então você ama essa pessoa. Bom é o que eu acho.

Peripécias da vida

Nada de contos, nada de reflexões sobre os acontecimentos do mundo, nada sobre a minha rotina ou nenhuma resenha de livro. Hoje vou falar sobre mim, sobre a minha vida, e sobre coisas que vocês não, provavelmente, não sabem.

Eu estou doente. São doenças tratáveis, embora o tratamento seja longo e as vezes doloroso. Não é nada que em seis ou oito meses eu já não esteja completamente curada e bem. Para todos os efeitos, o que eu tenho é um parasita no duodeno (canal que sai do estômago) que está causando uma duodenite, uma bactéria no estômago causando uma gastrite e isso tudo causando refluxo. São alguns antibióticos e alguns outros remédios, que as vezes me dão algumas reações adversas. Fora isso, estou gripada, é um gripe que vai e volta nos últimos 7 meses mais intensamente, mas que começou no ano passado. Isso quando não tenho algum outra infecção de garganta, febre ou minha rinite não ataca.

Você deve estar se perguntando porque eu estou falando tudo isso, reclamando um monte da minha vida. Na verdade, não estou reclamando, estou contando o que acontece comigo desde o começo do ano (quando a gastrite apareceu e a gripe piorou), só isso, só constatando. Eu sempre tive uma saúde muito boa, a ponto de quase nunca ter sequer uma gripe, então foi uma surpresa tanto para mim, quanto para meus pais, quando comecei a ficar doente.

Tudo poderia parecer sem explicação, sem sentindo, mas isso porque não estou contando tudo. Desde setembro do ano passado eu estou fazendo psicanalise. Ninguém é tão bem resolvido, ou se conheço tão bem que não ganhe fazendo análise. Ao mesmo tempo que me faz tão bem, pois descubro coisas sobre mim que eu não imaginava ou não queria imaginar, me deixa mal. Me deixa mal porque tanto eu, quanto a psicanlista acreditamos que minhas doenças tem causas psicológicas e não biológicas.

Eu explico, acredita-se que algumas pessoas, quando não estão bem emocionalmente ou psicologicamente, não tem reflexos psicológicos mas biológicos. Quer dizer que a pessoa em vez de ser depressiva acaba tendo gastrite, ou alguma outra doença. Então basicamente toda vez que eu deveria estar me acabando em lágrimas ou algo do tipo, em vez disso eu fico fisicamente doente, e geralmente isso sse manifesta em forma de gripe.

Novamente, porque eu estou falando tudo isso? Ontem, eu tive uma séria conversa com a minha mãe. E mais uma vez eu não consegui explicar ou dizer o que se passa comigo. Meus pais tem sérias dificuldades de entender tudo que acontece comigo, o modo como eu sinto, vejo e faço as coisas. Talvez eu tenha dito, e ela não tenha entendido, não sei. Sei que eu e eles somos diferentes, muito diferentes, e isso é palco de grandes discussões, como a de ontem, onde no final eu me sinto frustrada porque sinto que não consegui dizer diretamente o que se passa e minha mãe não conseguiu entender o que eu estava querendo dizer.

O resultado dessa discussão foi uma manhã de dor de cabeça, uma tarde de tontura, final de tarde com vômitos e estômago ruim, e uma noite no hospital. Chegamos as 20h saímos as 23h30.

Bárbara Bigon, pode se sentar. Dor de cabeça, tontura, gripe, vômitos, estomago ruim. Sentar na cama, descer da maca. Diagnostico do médico, crise de labirintite e crise de gastrite. Receitas e um atestado. Entrega guia pra enfermeira e espera. Os ponteiros do relógio parecem parados. Senta tira metade do casaco. Agulha, algodão, mil preparações. Remédio na veia. Enfermeira está doendo, é normal? É normal, pode ficar tranquila. Dor e tédio. A hora parece não passar. Sala enche e se esvaia. Mãe são 23h30, não aguento mais sentir dor. Calma, vai passar está acabando. Mãe pede pra tirar. Olhos cheios de lágrimas, congelando na sala fria sentindo dor. Enfermeira volta, tudo bem querida pode ir. Chegar em casa é sempre um alivio. Pai, irmão vendo futebol. Subo pro quarto, pijama, escova os dentes, cama.

Pela primeira vez na vida tomei remédio na veia. Senti um monte de coisas estranhas. Mas percebi que certas coisas só fazem sentindo quando se as conhece melhor, mais profundamente. Só quando analisamos melhor uma situação é que entendemos acontecimentos que a primeira vista são ilogicos. Está tudo ligado, e nada é por acaso, é tudo uma questão de se olhar melhor e mais profundamente.

No final, a verdadeira questão é : quanto você é capaz de aprofundar o seu olhar?