Antes que a velhice chegue

Eram quatro horas da tarde quando ela começou a ver os antigos cadernos. As mãos enrugadas e e os olhos cansados passavam lentamente pelas páginas amareladas. A letra redonda e firme não era mais a mesma. Muitos anos tinham se passado, mais de 50, e agora restavam apenas as memórias, e aqueles cadernos. 

A casa grande e bem decorada não emitia um som a sua volta, nada se mexia, nada acontecia. No andar superior, as joias, sapatos e roupas estavam comportados em seus lugares. Nem sequer o vento ou a brisa de inverno se atrevia a bagunça ou lugar ou perturbar o silêncio. 

Lembrou de seus sonhos de menina, as aventuras que queria viver quando jovem, os lugares que desejava conhecer. Mas as contas se acumulavam, e nada ficava mais fácil. Começou a trabalhar, a pagar as contas, a ter dinheiro para comprar todas as belas coisas que seu bolso desejava. Seus sonhos foram ficando pequenos, difíceis, mal pagos. Comprou um apartamento maior, mais bonito. Planejou uma viagem para Europa, que nunca foi pois tinha que trabalhar. Mas o dinheiro tinha, para viajar o mundo todo. 

Eram mais de dez horas da noite quando se levantou da poltrona confortável e seguiu para o quarto. Os sonhos, viagens e todo o resto deixados para trás juntamente com os cadernos antigos. Quando se deitou, adormeceu imediatamente devido ao remédio que o médico particular recomendara. 

 

 

Estava sentada sozinha na mesa de um café no centro da cidade. Café preto, simples, barato e quente. Era o que podia pagar para se aquecer naquela manhã fria de setembro. Tinha nas mãos três cartas, a primeira de uma empresa multinacional oferecendo um salário desrespeitoso de tão grande. A segunda do jornal que sempre amara, dizendo que havia conseguido e para ser efetiva deveria ir até lá para acertar a papelada, no final o pequeno salário era quase menor do que o corpo da letra na carta. A terceira era a do cartão de crédito.

Era um sonho, não era real, por isso escolheu com seu coração. Jogou a carta da empresa multinacional no lixo, colocou as outras duas na bolsa e foi realizar seu sonho. Viajou o mundo, conheceu o amor de sua vida em uma das viagens, casou, adotou uma filha, foi feliz. Não mais despertou de seu sonho, viveu-o até a velhice, em meio aos netos e bisnetos.  A casa cheia e simples. 

O que ela não sabia era que o sonho era realidade, e as vezes, raras vezes, temos a chance de viver de novo. Não espere viver de novo, pois você pode não ter a segunda chance, aproveite enquanto você ainda respira livremente. 

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Amores Viciados

Estava pensando em todos os amores que tive, em todas as vezes que tive o coração partido, no medo que criei em amar e ter o coração partido novamente. Em todas as barreiras que criei e esperanças que perdi. Penso em toda a desilusão que a vida me ensinou a ter com o amor. E como tudo isso me impede de amar livremente como da primeira vez, como isso me impede de ser feliz como dá primeira vez, e como agora só restaram cicatrizes e lagrimas, ironica e sarcasmo…

Pensando em tudo isso achei o poema “Nós dois” Da Vilma Galvão que descreve bem essa minha sensação

Queria ter lhe conhecido antes,
muito antes…
Para que nenhum de nós dois tivesse
medos ou cicatrizes.
Queria ter estado com você,
quando seu coração descobriu
o que era AMOR.
Quando seu corpo descobriu
o que era DESEJO.
E antes que pudesse sofrer,
eu estaria do seu lado,
amando-lhe.
entregando-me,
e juntos poder ter aprendido,
as lições da vida e do coração…
Queria ter te conhecido muito antes…
Quando suas esperanças
começaram a nascer,
quando seus sonhos ainda eram puros,
e seus ideais ainda ingênuos…
Pena termos nos encontrado só agora,
já com o coração viciado
em outros amores,
com uma imagem meio falsa,
do que é felicidade,
do que é entregar-se…
Queria ter lhe encontrado antes,
muito antes…
Numa nova vida,
num outro tempo,
em que não precisássemos
temer o nosso futuro,
nem nossos sentimentos…

Ah! como eu queria!
Mas, não foi assim, te conheci agora…
na hora certa?, no momento certo?…
eu não sei…

Só sei que te encontrei agora e,
na sua vida, se você quiser, para sempre…
eu ficarei…!

Eu, eu mesma, sem Irene

Diz a sabedoria popular, que se conhece alguém por suas pequenas manias. Assim como só se sabe de uma pessoa aquilo que ela partilha sobre si. Pensei muito no assunto nos últimos dias, e cheguei a seguinte conclusão : Nunca fui do tipo que mostra muito sobre si, talvez poucos, as vezes quase nada. Muitos se espantam quando digo que sou tímida, o que algumas pessoas não entendem é que ser expansiva nada mais é do que uma forma de defesa.  Você nunca pensa muito em uma serpentina, está ocupado demais acompanhando seu brilho.

 

Por isso, resolvi mostra algo sobre mim, afinal, sempre foi mais fácil ser sincera aqui, escondida atrás de um computador, protegida pela saudável distancia da internet. Me achem medrosa, cautelosa, o que for… sei que sou tímida e retraída, não há muito que eu possa fazer para mudar isso, talvez, apenas tentar contar um pouco sobre mim, para facilitar um entendimento mutuo.

 

1 – Sou completamente extremista, vou de um extremo ao outro sem sequer parar para pensar. Costumo dizer (para mim mesma) que sou tão calma quanto uma bomba prestes a explodir. A melhor metáfora que posso fazer é como se fosse uma explosão que está segura por uma fina camada de qualquer coisa, que por qualquer motivo a qualquer momento se desfaz e libera a explosão.

 

2 – Sou apreensiva com tudo que não compreendo. Calma, não é tanto assim. Minha ansiedade com coisas que não compreendo está ligada a pessoas, quando não entendo a pessoa ou suas atitudes em relação a mim, fico ansiosa, nervosa e neurótica.  Mas quando o oposto acontece, ou seja, quando entendo a pessoa ou seus atos, sou absolutamente calma e paciente.

 

3 – Quando explodo, as únicas coisas capazes de me acalmar são música ou livros.

 

4 – Meu melhor medidor de ansiedade é chocolate. Minha necessidade por chocolate é diretamente proporcional a minha ansiedade.

 

5 – Ler é minha maior paixão, meu maior vicio, minha principal forma de libertação. Uns tomam um golinho de vinho a noite, outros abrem uma cerveja, eu sento na cama e abro um livro.

 

6 – As coisas que mais me irritam são pessoas intrometidas, desrespeitosas ou fanáticas. Embora preconceituosos e machistas também me tirem do sério.

 

7 – Não gosto que me toquem, é um tique que sempre tive. Detesto abraços, não suporto beijinhos e tenho agonia mortal com pessoas que me tocam demais. Apenas permito que cheguem próximo de mim pessoas que eu gosto, e ainda sim, só quando estou com saudade, fora isso, nunca chegue muito perto de mim.

 

8 – Tenho uma lógica própria, um jeito meu de fazer ligações e correlações entre assuntos distintos. A maior parte das vezes nem eu mesma sei o porque ou como, então me perguntar esse tipo de coisa é irrelevante, eu não tenho as respostas.

 

9 – Tenho amor incondicional por cachorros, bebês e animais em geral. Tenho horror a pessoas que os maltratam.

 

10 – Tenho paciência quase infinita para ouvir problemas, dúvidas e anseios alheios, mesmo que não sejam meus amigos ou eu não tenha tanta intimidade.

 

11 – Raramente divido segredos, por isso quando o faço espero que vão com você para o tumulo. Sigo a mesma conduta com as pessoas que contam segredos, não revelo nada nem sob tortura.

 

12 – Meu três maiores sonhos são : morar em Londres, escrever um grande e bom livro, ter um filho.

 

13 – Meus números da sorte são sempre ímpares, ou 7 ou 13, as vezes 3 ou 5.

 

14 – Quando ando na rua, nunca piso em linhas.

 

15 – Tenho medo de espelhos e do escuro, e ainda mais de espelhos no escuro.

 

16 – Mexer no cabelo, unhas ou dedos demonstra nervosismo e apreensão, geralmente quando estou nervosa, sob pressão ou quando não sei o que fazer.

 

17 – Dançar na chuva, contar estrelas e dormir na rede são meus pequenos prazeres favoritos.

 

18 – Lírios e flores do campo são as minhas favoritas. Detesto rosas, principalmente o cheiro, acho fedido.

 

19 – Adoro cantar e contar. Contar histórias. Canto no banho, andando na rua. Conto história antes de dormir.

 

20 – Dificilmente confio em alguém, ou gosto de alguém, mas a partir do momento que confio ou gosto, nunca deixo de senti-lo. O sentimento pode mudar, de amizade para romance, de romance para amizade, carinho, mas não deixa de existir.

 

21 – Amor para mim é o silencio. É quando você consegue ficar ao lado de alguém sem dizer nada, por horas, e não sente aquele silencio desconfortável, não existe aquela necessidade de preencher  o vazio, porque não há vazio. Quando você conseguir ficar uma hora simplesmente ao lado de alguém, sem dizer nada, então você ama essa pessoa. Bom é o que eu acho.