Nós

Pela janela entreaberta o sol coloria de amarelo as paredes, a cama bagunçada e o sorriso preguiçoso nos lábios dele. Ela já se espreguiçava e e se preparava para sair do conforto dos lençois enquanto ele virava de lado e se escondia sob o travesseiro. O riso cristalino, mesmo pela manhã, inndou o quarto, era sempre um sacrificio tirá-lo da cama.

Debruçou-se sobre ele e beijou seu rosto, ele sorriu e com os olhos ainda fechados começou a virar-se para ela. Os lábios esticados em um infantil pedido de beijo, pouco combinava com a aparência de homem barbado. Ela riu antes de inclinar-se novamente e beijá-lo várias vezes. “Levanta preguiçoso” que ela delicadamente sussurrou foi respondido com um brusco e repentino abraço envolvendo-a e a trazendo de encontro ao peito dele. “Sou seu ursinho de pelúcia?” foi respondido com um simples aceno, enquanto ele aconchagava-se mais com ela segura nos seus braços. Apertou-a bem forte, estreitando a proximidade entre eles. Ela riu e acariciou os cabelos dele, beijando-o na fronte, finalmente fazendo com que ele abrisse os olhos e sorrise olhando para ela enquanto cuidadosamente depositava um beijo nos lábios dela.

Vamos levantar menino preguiçoso”apenas fez com que ele se aconsegasse mais nela, trazendo-a para perto e beijando-lhe os lábios. Pouco a pouco, beijo a beijo, foi tirando toda a preguiça dele. O fraco amarelo do sol da manhã já havia se fortalecido com as horas até que toda a preguiça o tivesse deixado e ele finalmente houvesse levantado dos lençóis remechidos. O aroma do café fresco dela duelava com o cheiro do achocolatado dele, como acontecia em todas as manhãs que eles passavam juntos. Pijamas guardados, cama arrumada e o perfume de sabonete ainda no ar, os dois estavam de volta a cama. Ela deitada esparramada com o computador nas mãos, ele sentado apoiado na parede com o violão nos braços. O travesseiro dela era a perna dele, o apoio dele eram as costas dela, embolavam-se trabalhando juntos. Ela cantarolava algumas sugestões para ele, enquanto ele ouvia e opinava nas histórias dela.

O dia passara tranquilo, risonho, como todo sábado e domingo que eles dividiam. Gostavam assim de sua rotina calma de trabalho conjunto O meio dia chegou e passou, assim como o cheiro da comida, o cochilo no sofá, o cafézinho e boa parte da tarde. “Vem pequena, vem sair andar um pouco” levou-os para longe da casa, ao parque, para andar, rir e juntos registrar um pouco cada um sua visão da vida ao final da tarde. O sol se pondo e a luz tendo ido embora, sentaram juntos para comparar. Câmeras postas de lado, tudo pronto no carro, hora de voltar. As mãos unidas, os sorrisos iguais, um dia a mais para lembrar. O sol posto, a lua alta e as estrelas surgindo pouco a pouco, iluminando o céu.

Em uma noite clara, com um tapete de piscas-piscas, um jantar ao ar livre. Uma canção baixinha, uma taça de vinho, uma dancinha ao luar. “Segura firme na minha mão, me abraça forte” foi respondido com um longo beijo apertado e um “gosto de você” sussurrado. Abraçados e sorrindo juntos, uma testa colada na outra e o silêncio pairando no ar, mas era um desses silêncios bons e confortáveis, que só se tem quando se conhece bem quem está ao lado. Sentados na rede a lua tão alta, contando pedaços de um sonho, planejando partes de um futuro. Mais tarde na noite, deitados no chão, na grama, no colchão, a lua se pondo e eles ali enroscados, embaraçados falando baixinho de um presente tão bom, até dormirem quietinhos nos braços um do outro.