Eu, eu mesma, sem Irene

Diz a sabedoria popular, que se conhece alguém por suas pequenas manias. Assim como só se sabe de uma pessoa aquilo que ela partilha sobre si. Pensei muito no assunto nos últimos dias, e cheguei a seguinte conclusão : Nunca fui do tipo que mostra muito sobre si, talvez poucos, as vezes quase nada. Muitos se espantam quando digo que sou tímida, o que algumas pessoas não entendem é que ser expansiva nada mais é do que uma forma de defesa.  Você nunca pensa muito em uma serpentina, está ocupado demais acompanhando seu brilho.

 

Por isso, resolvi mostra algo sobre mim, afinal, sempre foi mais fácil ser sincera aqui, escondida atrás de um computador, protegida pela saudável distancia da internet. Me achem medrosa, cautelosa, o que for… sei que sou tímida e retraída, não há muito que eu possa fazer para mudar isso, talvez, apenas tentar contar um pouco sobre mim, para facilitar um entendimento mutuo.

 

1 – Sou completamente extremista, vou de um extremo ao outro sem sequer parar para pensar. Costumo dizer (para mim mesma) que sou tão calma quanto uma bomba prestes a explodir. A melhor metáfora que posso fazer é como se fosse uma explosão que está segura por uma fina camada de qualquer coisa, que por qualquer motivo a qualquer momento se desfaz e libera a explosão.

 

2 – Sou apreensiva com tudo que não compreendo. Calma, não é tanto assim. Minha ansiedade com coisas que não compreendo está ligada a pessoas, quando não entendo a pessoa ou suas atitudes em relação a mim, fico ansiosa, nervosa e neurótica.  Mas quando o oposto acontece, ou seja, quando entendo a pessoa ou seus atos, sou absolutamente calma e paciente.

 

3 – Quando explodo, as únicas coisas capazes de me acalmar são música ou livros.

 

4 – Meu melhor medidor de ansiedade é chocolate. Minha necessidade por chocolate é diretamente proporcional a minha ansiedade.

 

5 – Ler é minha maior paixão, meu maior vicio, minha principal forma de libertação. Uns tomam um golinho de vinho a noite, outros abrem uma cerveja, eu sento na cama e abro um livro.

 

6 – As coisas que mais me irritam são pessoas intrometidas, desrespeitosas ou fanáticas. Embora preconceituosos e machistas também me tirem do sério.

 

7 – Não gosto que me toquem, é um tique que sempre tive. Detesto abraços, não suporto beijinhos e tenho agonia mortal com pessoas que me tocam demais. Apenas permito que cheguem próximo de mim pessoas que eu gosto, e ainda sim, só quando estou com saudade, fora isso, nunca chegue muito perto de mim.

 

8 – Tenho uma lógica própria, um jeito meu de fazer ligações e correlações entre assuntos distintos. A maior parte das vezes nem eu mesma sei o porque ou como, então me perguntar esse tipo de coisa é irrelevante, eu não tenho as respostas.

 

9 – Tenho amor incondicional por cachorros, bebês e animais em geral. Tenho horror a pessoas que os maltratam.

 

10 – Tenho paciência quase infinita para ouvir problemas, dúvidas e anseios alheios, mesmo que não sejam meus amigos ou eu não tenha tanta intimidade.

 

11 – Raramente divido segredos, por isso quando o faço espero que vão com você para o tumulo. Sigo a mesma conduta com as pessoas que contam segredos, não revelo nada nem sob tortura.

 

12 – Meu três maiores sonhos são : morar em Londres, escrever um grande e bom livro, ter um filho.

 

13 – Meus números da sorte são sempre ímpares, ou 7 ou 13, as vezes 3 ou 5.

 

14 – Quando ando na rua, nunca piso em linhas.

 

15 – Tenho medo de espelhos e do escuro, e ainda mais de espelhos no escuro.

 

16 – Mexer no cabelo, unhas ou dedos demonstra nervosismo e apreensão, geralmente quando estou nervosa, sob pressão ou quando não sei o que fazer.

 

17 – Dançar na chuva, contar estrelas e dormir na rede são meus pequenos prazeres favoritos.

 

18 – Lírios e flores do campo são as minhas favoritas. Detesto rosas, principalmente o cheiro, acho fedido.

 

19 – Adoro cantar e contar. Contar histórias. Canto no banho, andando na rua. Conto história antes de dormir.

 

20 – Dificilmente confio em alguém, ou gosto de alguém, mas a partir do momento que confio ou gosto, nunca deixo de senti-lo. O sentimento pode mudar, de amizade para romance, de romance para amizade, carinho, mas não deixa de existir.

 

21 – Amor para mim é o silencio. É quando você consegue ficar ao lado de alguém sem dizer nada, por horas, e não sente aquele silencio desconfortável, não existe aquela necessidade de preencher  o vazio, porque não há vazio. Quando você conseguir ficar uma hora simplesmente ao lado de alguém, sem dizer nada, então você ama essa pessoa. Bom é o que eu acho.

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Solidão

Uma confissão    Um texto antigo que achei no outro blog, editei e vou postar aqui. Espero que entendam, 

 

Estou sozinha. Não há nada a fazer sobre isso, a cada passo que dou mais sozinha eu fico. Eu não pertenço a lugar algum, não me sinto em casa, não tenho nenhum lugar que chame de lar, local algum me aconchega, não há para onde retornar, porque nunca houve de onde parti. Ao meu redor, a solidão física permeia o espaço. Embora eu não vá a lugar algum sem ninguém, estou sempre só.

Olho a minha volta, e é frustrante perceber que estou só, enquanto todos estão  juntos. A solidão aumenta. Descobrir-se nada para o mundo é algo que causa ânsia. Estou constantemente nauseada e sinto que posso vomitar a qualquer instante, ou chorar, dá no mesmo. Noção de qualquer coisa que seja me escapa pelos dedos. Desaprendi a viver com pessoas porque estou vazia delas. Vejo-as o tempo todo, converso, ouço, toco, mas elas nada significam, são como luz ou vento no espaço, devem estar ali para compor o ambiente, nada mais. Qual a utilidade de qualquer uma delas em minha vida?


A indiferença preenche-me quando as vejo, ouço e sinto. Nada me causam, nada me acrescentam, continuo inutilmente igual a antes.


Sinto-me cada vez mais irrelevante ao mundo, cada vez mais inútil e desproposital. Penso e falo, olho e sinto, cheiro e ouço, sem que significado algum se faça para mim. O mundo gira, o mundo para, o mundo volta. As pessoas continuam as mesmas de sempre. Todas são as mesmas horríveis e mesquinhas de antes. Todas ainda sorriem quando me vêem passar. No fundo sei que é enrolação, posso sentir o ódio dirigido a mim, no ambiente, no meio das frases, entre os olhares. Lufadas de um ódio primitivo rondam o ambiente a minha procura. Não posso, contudo gritar-lhes para que parem, eles não o dizem.
Continuo caminhando, a cada passo mais sozinha, mais distante. É um caminho sem volta, com uma passagem só de ida, Passargada me espera ao final da linha de metro, de lá pego um trem direto até o castelo do rei, meu amigo. A sensação de náusea não me deixa dormir, descansar, sonhar. O pensamento latejante grita-me que não presto, é insistente o bastante para manter-me sempre atenta e alerta. O cansaço vem, os dias sucedem-se, e no final nada mudou, nada nunca muda.


As pessoas ainda lutam para serem as melhores, sem se importar realmente com as outras. Todos sempre têm dentro de si um egoísmo negro e um narcisismo vermelho, que mascaram com sorrisos brancos em um mundo cor-de-rosa. O mundo fede, as pessoas fedem, a tudo. Desde inveja inescrupulosa, ao exarcebado consumismo e o capitalismo, que não passam de desculpas para que as pessoas possam tomar o querem sem se sentirem culpadas.


Tudo ruí a nossa volta, e ninguém vê ou se importa, porque todos estão conseguindo o que querem, e os que não conseguem, mal tem força para erguer-se e dizer, e mesmo que dissessem, ninguém os entenderia ou pararia para ouvir.


O mundo é uma merda. E as pessoas são uma merda. A vida é uma merda. E ainda sim estou aqui viva, agarrada com todas as forças a uma vida que não me faz bem, a uma vida que apenas me mostra desespero e impotência.


Estou viva dentro de um mundo que temo em deixar. Temo o dia que não abrir os olhos para ver o céu cinza e as nuvens negras, o sol escaldante e as pessoas nojentas e ignorantes. Temo o dia que não poderei correr por dentre os carros fumarentos e barulhentos, entrar em uma sala mal conservada e olhar para as caras feias de pessoas desconhecidas.


Sou uma louca sem noção. Quando olho para mim, vejo que nada tenho, nada tive. A solidão que me acompanha, irá deixar-me, quem sabe, no dia de minha morte. Nasci sozinha em uma quarta-feira fria. Vivi sozinha em um mundo gelado. Escondi-me no escuro, e olhei a viva através da fechadura de uma janela.


Restam-me as letras deixadas, as entrelinhas lidas, o entendimentos dos livros, pois sou tão grande quanto as páginas dos livros que vivo, e tão real quanto as letras que escrevo.
Sou uma louca por viver.
Sou uma louca por continuar vivendo.
Sou uma louca por querer viver.
Sou uma louca.
Vivo.
Vivendo.
Só.

Como ser nerd em 10 passos

Agora que ser nerd está na moda, e você como toda pessoa descolada e legal segue a moda. Você quer virar nerd também, mas está com dúvidas e não tem muita certeza do que fazer, bom, eu vou te ajudar.

1. Encontre um vicio nerd e aprofunde-se nele. Pode ser qualquer coisa, livros, quadrinhos, filmes, música, jogos, tecnologia, física, química, astronomia… não precisa ser apenas um, podem ser vários. Essa etapa dura cerca de 5 anos. + 30 de nerd

2. Se ambiente com a cultura nerd. Seu vicio nerd pode ser qualquer um, mas você deve conhecer o básico de toda a cultura nerd, os principais livros, filmes, jogos, assuntos. Essa etapa dura cerca de 2 anos. + 20 de nerd

3. Entre em foruns/salas de discussão online. Discutir, conversar e compartilhar informações e conhecimentos sobre sua nerdisse favorita é sempre necessario. Esse etapa não tem fim. + 7 de nerd

4. Gaste a maior parte do seu dinheiro comprando coisas nerds. Livros, quadrinhos, tecnologia… Não importa. + 5 de nerd

5. Passe dois ou três dias se dedicando inteiramente ao seu vicio. Todo nerd já fez isso alguma vez na vida, passou dois dias lendo o último livro de sua série de sci-fi favorita ou então não saiu da frente do videogame até zera-lo. Essa etapa dura dois ou três dias. + 5 de nerd

6. Adquira habitos nerds. Sites sobre o assunto, revistas, livros, redes sociais, mantenha-se sempre informado sobre o mundo nerd, além de jogar, reler e rever seus livros/quadrinhos/filmes/jogos favoritos. + 5 de nerd

7. Tenha pelo menos uma ideia louca o-mundo-seria-melhor-se-eles-fizessem-isso-do-meu-jeito ou algo do tipo. Ideias como se-eu-fizesse-isso-poderia-dominar-o-mundo ou eu-sou-um-gênio-e-vou-ser-famoso-fazendo-isso também são validas. Nada mais natural que um nerd queira ser como seus idolos, que nerd nunca quis ser/ter a vida do Steve Jobs, Neil Gaiman, Saramago, Kubrick ou tantos outros ? + 10 de nerd

8. Após tanto tempo em frente ao computador, televisão e lendo sob péssimas condições você tem/desenvolveu algum problema de vista. Compre óculos, não necessariamente você vai usar, mas sempre é bom te-los para alguma emergência. + 3 de nerd

9.Tenha em seu guarda roupa qualquer coisa que remeta a cultura nerd. Pode ser desde uma camiseta dos Beatles até uma capa do Gandald. + 10 de nerd

10. Vá pelo menos um vez em um feira/convenção/encontro/exposição sobre um assunto nerd. + 5 de nerd

LEVEL UP!
Parabéns, você agora é um nerd.

Velha idade de moça

Não importa o que digam, não há idade para nada.
Não há epoca para brincar de pega-pega, ou limite pra fantasiar-se e correr.
Porque não tem idade pra deixar de ser criança.  Na verdade não há idade pra deixar de ser nada. Podemos ser tudo o que quizermos na idade que quizermos.

Idade é só um número, e da vida, o que entendem os números? Nada além de nada. Clarisse disse : “a vida ultrapassa qualquer entendimento”. Pois é claro, viver não é entender, é sentir, é ser.

Eu vou brincar de pega-pega e esconde-esconde, sim. Vou correr na chuva. Pisar com os pés no chão. Deitar na grama e ver estrelas. Vou sonhar com bruxos e dragões. Viver na imaginação. Vou me fantasiar de princesa e salvar o meu principe.

Vou brigar com o mundo. Vou defender meus ideais. Vou dizer o que penso e o que quero. Vou dizer ‘te amo’ e não ter vergonha do que sinto. Vou fazer e querer. Vou achar corrupção imoral. Vou querer mudar o mundo. Vou achar futil e vou achar inutil.

Não quero saber de só sexo. Não quero ouvir em funk, sertanejo e pagode. Não gosto de pegação e balada. Tenho 80 anos mesmo. Prefiro ler um livro, tomar café e ouvir música boa. Deitar na rede, ali na varanda e ver as nuvens passar. Brincar com o cachorro, rolar no chão com  meu priminho. Ficar suja de terra e tomar banho de chuva. Tenho 8 anos mesmo.

Sair com meus amigos. Beber. Fazer besteira. Sair de noite, voltar ao amanhecer. Durmir o dia todo, acordar ao entardecer. Ter ressaca todo dia. Estudar até enloquecer. Me revoltar com a sociedade, é só querer. Trabalha de segunda a sexta, outra obrigação a perder. Enloquecer e esquecer da vida, de tudo. Tenho 18 anos mesmo.

Não tenho idade. Tenho altura de uma criança. O rosto de uma adolecente. A moral de uma velha. A cabeça de uma adulta. Sou a noiva do frankenstein. Formada por pedacinhos dos outros? Pedaçinhos de eu mesma, que cresci num mundo louco. Integrada por epocas distantes, diferentes. Tudo junto e batido dentro de uma cabeça confusa.

Por isso eu digo : vou brincar de pega-pega até o sol nascer e ir pro bar beber até a noite chegar. Porque a noite é uma esperança, que o vento não consegue calar.